segunda-feira, 29 de junho de 2009
Entrevista com JACKO
Eis, então, a íntegra da entrevista:
O Cobrador – Michael Jackson, como o senhor está lidando com os boatos de que está vivo?
Michael Jackson – Pelo rápido papo que eu tive na chegada com o Elvis deu pra perceber que as celebridades daqui do além geralmente são tratadas com esse tipo de falta de respeito. Os paparazzi da tumba ficam inventando histórias sobre a gente, ficam procurando assunto, como se fossem urubus em cima de carniça. Ops, foi mal, desculpe o trocadilho mal colocado. De qualquer forma, acho uma afronta a nossa privacidade de alma. Nem mortos conseguimos descansar em paz.
OC – Como foi a receptividade na chegada aos céus?
MJ – Pra falar a verdade, melhor do que o esperado. Soube que muita gente fez piada por aí com minha ansiedade sobre o Menino Jesus. Mas ninguém sabe que eu estou travando bons diálogos com um brasileiro, o Fernando Ramos da Silva. Ele morreu bem novinho, menos de 20 anos, e ficou conhecido como Pixote aí no país de vocês. Segundo ele, é uma referência elogiosa que recebeu pelo seu trabalho artístico e como exemplo da juventude brasileira. Estamos nos conhecendo melhor.
OC - O senhor sequer foi enterrado ainda e já está aqui conversando comigo. Dizem que seu caixão parece um sarcófago de faraó e vai custar o equivalente a 50 mil reais. Até o velório vai ser um megashow com ingresso de 30 reais. O que o senhor fala a esse respeito?
MJ - Não queria ter essa vida de novo, nem morta.
OC - Muito se comenta o fato do senhor não ter deixado nenhum centavo de dólar para o seu pai. O senhor não acha que foi muito cruel?
MJ - Não que tivesse acontecido comigo, mas se o senhor fosse espancado, humilhado, xingado e escarrado, tomasse um cachação toda vez que desafinasse ou escorregasse em um passo e ainda visse suas irmãs sendo abusadas sexualmente em todas as posições imagináveis, com o ânus currado, lascado e sangrando todos os dias, o senhor teria que tipo de reação?
OC - Sei lá, talvez contratasse um pessoal barra-pesada para torturar um miserável desses até um morte lenta, sofrida...
MJ - Então, o senhor ainda acha que deixar de dar uma grana foi realmente um castigo?
OC- Para finalizar, o senhor já sabe o que anda pra trás, muda de cor...
MJ – Fuck you, son of the bitch.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
EXCLUSIVO: Pintores revoltados vão borrar jornais da Bahia
O Sindicato dos Pintores de Parede Autônomos e Seguradores de Rolo (SPPARRO) pretende homologar na próxima semana uma ação civil pública no Ministério Público e uma nota de repúdio no Sindicato dos Jornalistas da Bahia. Os profissionais do segmento de tinturar interiores estão revoltados com o prejuízo indireto ao trabalho deles advindo da redução de conteúdo das publicações impressas no estado.
A entidade de classe planeja protocolar a ação em que argumenta que a única razão de adquirir jornais está ameaçada. Atualmente, ponderam os reclamantes, um exemplar inteiro não funciona mais para colocar no chão e proteger o piso da tinta que escorre. "É um absurdo porque outro dia comprei o jornal e não deu pra cobrir sequer uma sala de 15m², que eu estava pintando com PVA", esbraveja João Dali do Salvador, vice-presidente de relações institucionais do SPPARRO. Questionado porque não leu o exemplar, ele reagiu com certa rispidez. "O senhor acha que eu vou ficar me interessando com coisas que não me dizem respeito como avião 44-alguma coisa, o namorado bichinha de Madona ou se Ivete Sangalo vai usar chinelo de dedo ou salto alto a partir do quarto mês de gravidez? Eu tenho mais o que fazer", concluiu, antes de pegar de novo na broxa.
MICHAEL JACKSON MORREU PRIMEIRO AQUI
Foi com essa frase que o office-boy do Paredão da Imprensa divulgou displicentemente o maior furo de reportagem do século XXI. Ele que é o mancebo mais bem informado do Nordeste de Amaralina e adjacências entrou na redação no final da tarde com a boca cheia de farofa reclamando o que era o mais importante para ele: as agulhinhas fritas que o seu Tonho de Amorzinho havia anunciado por toda a rua que deixara em nossa central de informações e boatos bem fundados.
A história de como o boy obteve essa informação privilegiada renderia um Thriller (desculpem o trocadilho, mas é inevitável uma piadinha mórbida). Ele recebeu uma ligação do rapaz que brincava de “se esconder” com ele na infância. A voz foi logo reconhecida, mas o número no celular (cheio de algarismos) e a mensagem, não. “Ris déde, ris déde, risnote brifingue”, arfava, do outro lado da linha.
Sem compreender nada, o boy só falou: “calma, Cirilo, é você mesmo? Baixou o caboclo que entra em dona Dalva de novo?” Só então o amigo se deu conta que falava em língua estranha ao antigo parceiro (no bom sentido, claro) e explicou detalhadamente. Tinha ido para Los Angeles ser professor de capoeira dos gringos e lá conheceu Michael Jackson, que estava disfarçado de algo mais humano do que ele, um clone do Homer Simpson. Quando se tocou, já estava sendo convidado para aulas particulares com aquele homem careca e de rosto amarelo, com a protuberância abdominal, mas que estranhamente pediu licença para trocar de roupa e voltou do quarto magro, cabelo de chapinha e cara deformada cheia de ecmoses.
Só percebeu que era Jacko, quando tentou ensinar a dar um rabo-de-arraia e o nariz do aluno caiu. Ele simplesmente falou "sorry, sir" e grudou de volta a prótese nasal, como se fizesse algo simples como espirrar. Em questão de dias já dormia na mansão do astro, cujo aluguel é de 100 mil dólares mensais, mas sempre usando proteção (e não estou aqui falando de máscara cirúrgica, não). Até que naquela tarde ele - o ex-dono do ratinho Ben - sucumbiu aos efeitos nocivos de uma overdose de MM´s durante uma espécie de orgia com filmes antigos de Jerry Lewis, gessos ortopédicos de antebraços (???) e uma ampulheta do século XIV (nem precisa perguntar como eles usavam esse artefato).
Quando percebeu que o homem de 750 milhões de discos, 50 anos e amores do jardim de infância não respondia mais aos chamados, Cirilo resolveu ligar para a única pessoa que lembrava o número de celular de cabeça, que vem a ser o nosso boy pauteiro de O Paredão.
Assim que soube da história, fiz um DDI a cobrar para meus amigos do Los Angeles Times (que eu carinhosamente chamo de LAT) e ofereci a informação em troca de uma contribuição para o fundo paredônico contra a censura e pelo crédito livre. Alguns chamam isso de achaque, mas eu prefiro acreditar que estou lutando pela sobrevivência dos pequenos meios. Foi assim que os repórteres Andrew Blankstein e Phil Willon assinaram uma descoberta que é mais baiana do que o golpe das forminhas de empada na passarela.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A QUEDA DO DIPLOMA, A QUEDA DA BASTILHA E A QUEDA NA LONA
A decisão do STF de desobrigar o diploma para o exercício do jornalismo abriu caminho para a mais nova contratação de O Paredão da Imprensa. Vindo diretamente de um curso de especialização no New York Times, eis o nosso próximo chefe de reportagem:
“E aí, campeão, vai encarar essa pauta?”, propõe o Hollyfield versão jornalista, cujo estilo tem o melhor do jornalismo literário (ele bate primeiro e sua cabeça viaja para um conto de fadas depois).
SOBRE A ESSÊNCIA FREUDIANA DE FATOS E PESSOAS
Este Cobrador da Silva diariamente recebe indicações do que assistir, do que ouvir e do que ler e – consequentemente – do que esconjurar. Tem coisas realmente que merecem uma avaliação psico-proctológica mais profunda, como os programas Se Jogue (TV Salvador) e o apresentador Guiga Reis (alguma coisa rural, na Bandeirantes). Estes desencaixes que servem tanto para a análise comunicacional como para estudos sobre genética e aberrações estão guardados para futuros momentos de introspecção (bebendo meu Velho Barreiro e mordendo meu toucinho de estimação envelhecido 12 anos).
Por ora, vale o comentário motivado por uma missiva bem singela recebida há poucos dias em nossa redação:
Caro O Cobrador,
Meu nome é Poliana (não precisa dizer que sou moça...hihihi) e estudo jornalismo na faculdade XXXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome com pagamento de jabá). Gostaria de falar a você sobre a experiência mágica que tenho todas as terças e quintas-feiras com uma professora muito querida. Ela nos ensina coisas legais, como sermos éticos na profissão, como escrevermos bons textos, como nos sindicalizarmos sem esperar duas semanas na DRT e até como aproveitarmos melhor as promoções de vitrine nas Lojas Marisa!!!
Ah, ela sabe o que está falando, ela tem conhecimento de causa, porque faz comentários na Rádio XXXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome com pagamento de jabá) e escreve aos domingos no jornal XXXXXX (nota do Cobrador: talvez, nem com pagamento de jabá a gente faça essa divulgação). Que mulher maravilhosa! Ela chega a parecer um pouco com a Gisele Bundchen(mas só fisicamente), principalmente o nariz...hihihi O nome da minha musa e ídola é Malu Fontes.
Antes de qualquer coisa, preciso avisar a Poliana que a professora não chegou a ensinar que ídolo não tem flexão de gênero. Só que isso é o de menos.
Resolvi ler o que a magistrada do jornalismo escreve no jornal. Depois de quatro parágrafos, já agradecia a ela a chance que está me dando de ga
nhar muito dinheiro. Em um futuro longínquo, quando eu tiver um filho de seis anos, vou obrigar ele a assistir aos programas de maior sucesso, depois coloco dois todynhos, um pacote de batata chips e um kinder ovo de sobremesa e condiciono ele a escrever um texto sobre o que viu. A combinação desta bomba calórica com uma visão de mundo, digamos, pediátrica, vai dar um ensaio semanal com profundidade semelhante à da guru de polianas acadêmicas. Basta usar um pseudônimo que pareça de professor universitário para tirar esse pagamento mensal como articulista.
Sobre a rádio, escutei durante o trânsito um comentário que o relógio insistia em apontar uma duração de quatro minutos, mas que eu considero como problema na bateria, porque aquilo durou no mínimo umas duas horas e meia. Quanto rancor, quanta ira, quantas frases prontas, quantos clichês e, principalmente, quanta voz aguda e quanto faniquito em uma só pessoa. Sobre o conteúdo, abstenho-me de falar. Deixo para o futuro, quando meu filho tiver seis anos e adquirir o mesmo nível intelectual para uma análise com equivalência de argumentos. Sobre o resto, a minha única avaliação é sobre como a histeria identificada por Freud se revela em certas ausências. No caso, a falta de um XXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome do referido órgão com o pagamento de jabá).
segunda-feira, 15 de junho de 2009
TENHA MEDO DO TEATRO BAIANO
O Paredão da Imprensa retoma sua programação normal de cusparadas, vômitos e defecações públicas com a denúncia de um crime ocorrido nas barbas dos homens de coturno do Quartel dos Aflitos. Ali, onde os discípulos do DOPS resolveram camuflar um imóvel como Teatro Gamboa Nova, sessões de tortura, humilhações e constrangimentos coletivos são perpetradas semanalmente sob a chancela do secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles, o delegado Fleury das artes na Bahia. Com o conteúdo menos expressivo do que estômago de anoréxica, as peças que se revezam no local têm a mesma poesia inerente ao repertório de Amado Batista. Suspeita-se que saiam de cartaz não apenas pela escassez progressiva de público, mas pelo conhecimento das assistentes sociais do Juliano Moreira e a conseqüente custódia de autores e atores. Sabe-se, inclusive, que os bilheteiros são aposentados pelo INSS a cada 6 meses, tamanha a exposição a condições de insalubridade. Muitos são acometidos de LER (lesão por escândalo repetitivo). O mais recente foi diagnosticado na perícia com esgotamento do hipotálamo – a região do cérebro responsável por buscar sentido e nexo nas diferentes manifestações humanas. Toda essa combinação de resíduos intelectuais fez daquela região a maior ameaça ao sistema nervoso parassimpático desde a descoberta da rotação invertida dos LPs de Fofão.
Já havia relatos na redação do Paredão da Imprensa dessa selvageria feitos por nosso Office-boy pauteiro. Ele que recebeu um vultoso aumento de remuneração e agora percebe o equivalente a 16 exemplares da Tribuna da Bahia (salário bimensal), agora que ficou barão deu pra trocar o lazer do fim de semana. Mudou do festival de sabores Cremosinho promovido na laje do barraco para idas esporádicas ao Gamboa Nova com alguma neguinha que conhece na roleta do coletivo ou os amigos marxistas dele, que por ora estão oferecendo mais-valia como porteiros no Pituba Ville ou almoxarifes da última das Lojas Pernambucanas, numa esquina do Nordeste de Amaralina e que já poderia ter colocado o nome no singular há um bom tempo. Pois as sinopses com tadas por nosso boy eram tão delirantes que todos acharam razoável admitir a dependência química pelo crack associada à passagem pela ladeira da Independência.
Até que neste fim de semana O Cobrador em pessoa – e sobrenome Silva – resolveu deixar as obrigações de sábado à noite que são tirar com pinça os pentelhos do invólucro escrotal e ter uma overdose com a fumaça da espiral de Sentinela – não necessariamente nesta ordem. Movido pela vontade de demonstrar sensibilidade a uma dama conhecida em um risca-faca da Rua Carlos Gomes e pela crise financeira internacional, levei a moça ao estrupí..., ou melhor, ao referido teatro. Nem me dei ao trabalho de saber o nome da peça, para mim interessava apenas a proximidade aos hotéis de alta rotatividade do Largo Dois de Julho.
Lá dentro, fiquei sabendo se tratar de Quem Tem Medo de Dona Margarida?, e logo lembrei que a crítica nos jornais que a estagiária de secretariado executivo lê para me passar o clipping falava em “uma professora que mostra à classe, em seu primeiro dia de aula, o modelo perfeito de aluno, partindo de seu exemplo de vida, pois ela sempre foi exemplar. Então, não tolera desobediência e nem comete injustiças”.
Pensei que quando eu falasse sobre minhas virtudes de gênio precoce na turma de dona Filomena do Colégio Central nos idos de 1930 a jovem iria ficar mais molhada do que a mãe de um deputado federal ou de um agente da Transalvador e eu teria uma noite inesquecível. Apesar do cheiro similar ao borrifador Xadrez n°5 – o preferido das celas de delegacia -, resolvi sentar com os outros 7 espectadores, contando com a menina do risca-faca, o contra-regra e a mulher que filmava com uma câmera Eletrovision de 3 megapixels.
Pouparei os nobres leitores de um relato pormenorizado de minha experiência tão aterrorizante quanto fazer sexo com Elza Soares. Dá para dizer apenas frases desconexas sobre como ficou comprovada relatividade de Einstein ao perceber que os 70 minutos de tortura de um monólogo para dementes pareceram dois dias e meio sem água e comida. Ou que o autor, cujo nome está sendo mantido em sigilo pela trupe porque o ECA impede a divulgação de jovens com necessidades especiais em situação de risco, merece um tratamento urgente para aneurisma cerebral. Ou que a atriz, uma tal de Cecília Moura, só não precisa de tratamento odontológico, porque só os dentes prestam. Ela que resolveu ficar nua em cena por duas grandes razões – em nome da arte e para fazer este Cobrador aqui ter alguns sofridos minutos de dúvida sobre gostar ou não do sexo oposto. Com nádegas tão belas e bem cuidadas como um Box de miúdos da feira de São Joaquim, a protagonista teve uma performance que me fez lembrar elementos cênicos que remontam das tragédias gregas, como gelatina, ca
sca de laranja e – por que não – um queijo suíço. Apogeu da dramatização, a “professora” retira de dentro de uma calçola com fundilhos I Love Brazil uma... perereca de plástico. A platéia ri – não se sabe de piedade, de vergonha alheia ou por ter compartilhado o mesmo narguilé da trupe.Há pouco mais a dizer, a não ser que dá para repensar a aplicação da pena de morte no Brasil depois de experiência do gênero. Desejar que alguns dos idealizadores morram dolorosamente de câncer ainda é pouco (até porque alguns deles já têm carcinomas em estágio avançado no cérebro). Provoquem o Ministério Público para agir, ou então invoquem o poder do Corujito para nos salvar imediatamente. Tragam para este Cobrador as vísceras ainda quentes do criminoso que escreveu aquilo.
Além de tudo, a menina do risca-faca ainda alegou náuseas ao final da odisséia e eu tive que dormir com as imagens da flacidez atormentando meu juízo – e sem o efeito narcotizante da espiral de Sentinela. Eu juro que isso não vai ficar por isso mesmo.




