A decisão do STF de desobrigar o diploma para o exercício do jornalismo abriu caminho para a mais nova contratação de O Paredão da Imprensa. Vindo diretamente de um curso de especialização no New York Times, eis o nosso próximo chefe de reportagem:
“E aí, campeão, vai encarar essa pauta?”, propõe o Hollyfield versão jornalista, cujo estilo tem o melhor do jornalismo literário (ele bate primeiro e sua cabeça viaja para um conto de fadas depois).
Este Cobrador da Silva diariamente recebe indicações do que assistir, do que ouvir e do que ler e – consequentemente – do que esconjurar. Tem coisas realmente que merecem uma avaliação psico-proctológica mais profunda, como os programas Se Jogue (TV Salvador) e o apresentador Guiga Reis (alguma coisa rural, na Bandeirantes). Estes desencaixes que servem tanto para a análise comunicacional como para estudos sobre genética e aberrações estão guardados para futuros momentos de introspecção (bebendo meu Velho Barreiro e mordendo meu toucinho de estimação envelhecido 12 anos).
Por ora, vale o comentário motivado por uma missiva bem singela recebida há poucos dias em nossa redação:
Caro O Cobrador,
Meu nome é Poliana (não precisa dizer que sou moça...hihihi) e estudo jornalismo na faculdade XXXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome com pagamento de jabá). Gostaria de falar a você sobre a experiência mágica que tenho todas as terças e quintas-feiras com uma professora muito querida. Ela nos ensina coisas legais, como sermos éticos na profissão, como escrevermos bons textos, como nos sindicalizarmos sem esperar duas semanas na DRT e até como aproveitarmos melhor as promoções de vitrine nas Lojas Marisa!!!
Ah, ela sabe o que está falando, ela tem conhecimento de causa, porque faz comentários na Rádio XXXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome com pagamento de jabá) e escreve aos domingos no jornal XXXXXX (nota do Cobrador: talvez, nem com pagamento de jabá a gente faça essa divulgação). Que mulher maravilhosa! Ela chega a parecer um pouco com a Gisele Bundchen(mas só fisicamente), principalmente o nariz...hihihi O nome da minha musa e ídola é Malu Fontes.
Antes de qualquer coisa, preciso avisar a Poliana que a professora não chegou a ensinar que ídolo não tem flexão de gênero. Só que isso é o de menos.
Resolvi ler o que a magistrada do jornalismo escreve no jornal. Depois de quatro parágrafos, já agradecia a ela a chance que está me dando de ganhar muito dinheiro. Em um futuro longínquo, quando eu tiver um filho de seis anos, vou obrigar ele a assistir aos programas de maior sucesso, depois coloco dois todynhos, um pacote de batata chips e um kinder ovo de sobremesa e condiciono ele a escrever um texto sobre o que viu. A combinação desta bomba calórica com uma visão de mundo, digamos, pediátrica, vai dar um ensaio semanal com profundidade semelhante à da guru de polianas acadêmicas. Basta usar um pseudônimo que pareça de professor universitário para tirar esse pagamento mensal como articulista.
Sobre a rádio, escutei durante o trânsito um comentário que o relógio insistia em apontar uma duração de quatro minutos, mas que eu considero como problema na bateria, porque aquilo durou no mínimo umas duas horas e meia. Quanto rancor, quanta ira, quantas frases prontas, quantos clichês e, principalmente, quanta voz aguda e quanto faniquito em uma só pessoa. Sobre o conteúdo, abstenho-me de falar. Deixo para o futuro, quando meu filho tiver seis anos e adquirir o mesmo nível intelectual para uma análise com equivalência de argumentos. Sobre o resto, a minha única avaliação é sobre como a histeria identificada por Freud se revela em certas ausências. No caso, a falta de um XXXXX (nota do Cobrador: só colocamos o nome do referido órgão com o pagamento de jabá).
Isso não vai ficar impune. O Paredão da Imprensa retoma sua programação normal de cusparadas, vômitos e defecações públicas com a denúncia de um crime ocorrido nas barbas dos homens de coturno do Quartel dos Aflitos. Ali, onde os discípulos do DOPS resolveram camuflar um imóvel como Teatro Gamboa Nova, sessões de tortura, humilhações e constrangimentos coletivos são perpetradas semanalmente sob a chancela do secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles, o delegado Fleury das artes na Bahia. Com o conteúdo menos expressivo do que estômago de anoréxica, as peças que se revezam no local têm a mesma poesia inerente ao repertório de Amado Batista. Suspeita-se que saiam de cartaz não apenas pela escassez progressiva de público, mas pelo conhecimento das assistentes sociais do Juliano Moreira e a conseqüente custódia de autores e atores. Sabe-se, inclusive, que os bilheteiros são aposentados pelo INSS a cada 6 meses, tamanha a exposição a condições de insalubridade. Muitos são acometidos de LER (lesão por escândalo repetitivo). O mais recente foi diagnosticado na perícia com esgotamento do hipotálamo – a região do cérebro responsável por buscar sentido e nexo nas diferentes manifestações humanas. Toda essa combinação de resíduos intelectuais fez daquela região a maior ameaça ao sistema nervoso parassimpático desde a descoberta da rotação invertida dos LPs de Fofão. Já havia relatos na redação do Paredão da Imprensa dessa selvageria feitos por nosso Office-boy pauteiro. Ele que recebeu um vultoso aumento de remuneração e agora percebe o equivalente a 16 exemplares da Tribuna da Bahia (salário bimensal), agora que ficou barão deu pra trocar o lazer do fim de semana. Mudou do festival de sabores Cremosinho promovido na laje do barraco para idas esporádicas ao Gamboa Nova com alguma neguinha que conhece na roleta do coletivo ou os amigos marxistas dele, que por ora estão oferecendo mais-valia como porteiros no Pituba Ville ou almoxarifes da última das Lojas Pernambucanas, numa esquina do Nordeste de Amaralina e que já poderia ter colocado o nome no singular há um bom tempo. Pois as sinopses com tadas por nosso boy eram tão delirantes que todos acharam razoável admitir a dependência química pelo crack associada à passagem pela ladeira da Independência. Até que neste fim de semana O Cobrador em pessoa – e sobrenome Silva – resolveu deixar as obrigações de sábado à noite que são tirar com pinça os pentelhos do invólucro escrotal e ter uma overdose com a fumaça da espiral de Sentinela – não necessariamente nesta ordem. Movido pela vontade de demonstrar sensibilidade a uma dama conhecida em um risca-faca da Rua Carlos Gomes e pela crise financeira internacional, levei a moça ao estrupí..., ou melhor, ao referido teatro. Nem me dei ao trabalho de saber o nome da peça, para mim interessava apenas a proximidade aos hotéis de alta rotatividade do Largo Dois de Julho. Lá dentro, fiquei sabendo se tratar de Quem Tem Medo de Dona Margarida?, e logo lembrei que a crítica nos jornais que a estagiária de secretariado executivo lê para me passar o clipping falava em “uma professora que mostra à classe, em seu primeiro dia de aula, o modelo perfeito de aluno, partindo de seu exemplo de vida, pois ela sempre foi exemplar. Então, não tolera desobediência e nem comete injustiças”. Pensei que quando eu falasse sobre minhas virtudes de gênio precoce na turma de dona Filomena do Colégio Central nos idos de 1930 a jovem iria ficar mais molhada do que a mãe de um deputado federal ou de um agente da Transalvador e eu teria uma noite inesquecível. Apesar do cheiro similar ao borrifador Xadrez n°5 – o preferido das celas de delegacia -, resolvi sentar com os outros 7 espectadores, contando com a menina do risca-faca, o contra-regra e a mulher que filmava com uma câmera Eletrovision de 3 megapixels. Pouparei os nobres leitores de um relato pormenorizado de minha experiência tão aterrorizante quanto fazer sexo com Elza Soares. Dá para dizer apenas frases desconexas sobre como ficou comprovada relatividade de Einstein ao perceber que os 70 minutos de tortura de um monólogo para dementes pareceram dois dias e meio sem água e comida. Ou que o autor, cujo nome está sendo mantido em sigilo pela trupe porque o ECA impede a divulgação de jovens com necessidades especiais em situação de risco, merece um tratamento urgente para aneurisma cerebral. Ou que a atriz, uma tal de Cecília Moura, só não precisa de tratamento odontológico, porque só os dentes prestam. Ela que resolveu ficar nua em cena por duas grandes razões – em nome da arte e para fazer este Cobrador aqui ter alguns sofridos minutos de dúvida sobre gostar ou não do sexo oposto. Com nádegas tão belas e bem cuidadas como um Box de miúdos da feira de São Joaquim, a protagonista teve uma performance que me fez lembrar elementos cênicos que remontam das tragédias gregas, como gelatina, casca de laranja e – por que não – um queijo suíço. Apogeu da dramatização, a “professora” retira de dentro de uma calçola com fundilhos I Love Brazil uma... perereca de plástico. A platéia ri – não se sabe de piedade, de vergonha alheia ou por ter compartilhado o mesmo narguilé da trupe. Há pouco mais a dizer, a não ser que dá para repensar a aplicação da pena de morte no Brasil depois de experiência do gênero. Desejar que alguns dos idealizadores morram dolorosamente de câncer ainda é pouco (até porque alguns deles já têm carcinomas em estágio avançado no cérebro). Provoquem o Ministério Público para agir, ou então invoquem o poder do Corujito para nos salvar imediatamente. Tragam para este Cobrador as vísceras ainda quentes do criminoso que escreveu aquilo. Além de tudo, a menina do risca-faca ainda alegou náuseas ao final da odisséia e eu tive que dormir com as imagens da flacidez atormentando meu juízo – e sem o efeito narcotizante da espiral de Sentinela. Eu juro que isso não vai ficar por isso mesmo.
O principal pauteiro de nosso Paredão, como vocês sabem, é o nosso office-boy, que trabalha conosco em turnos alternados com a função de motoboy em um delivery de pizzaria e go-go boy nas madrugadas. Pois bem, com seu faro aguçado para notícia (e para pizza de peperoni estragada), ele abriu hoje os Classificados do jornal A Tarde em busca de algum assunto interessante. Deparou-se com "Carlinha, discreta, provocante, carinhosa, 10 reais". Percebeu ali um interessante para uma reportagem de jornalismo participativo. Pensou em ligar, mas desistiu rapidamente. Também pudera. Por 10 reais, até pelo telefone ela conseguiria transmitir doença venérea.
Assustar-se com o etéreo pode ser tão edificante quanto domar um sortilégio polêmico daquele raquítico garoto em situação de rua e jejum fora do normal, particularmente a dois. Esta frase, certamente, é mais uma asneira escrita de forma ininteligível e com significativos erros linguísticos. Não serve pra nada. Mas é bem capaz de você ler coisa muito pior em muito jornal baiano por aí.
ELE VOLTOU, anunciou o estagiário da produção. ESSE CARA PARECE ESTAR COM SANGUE NOS OLHOS, temeu o chefe de reportagem hipocondríaco. EU AVISEI, PORRA, PRA VOCÊS FICAREM ATENTOS QUE ELE IRIA VOLTAR, vociferou o inseguro repórter de esportes. ESSE CARA DEVE ESTAR SEM BALA NA AGULHA, arriscou o editor-chefe, no único momento em que conseguiu parar de pensar no teco de qualidade que vai dar hoje à noite. UM FILHA DA PUTA DESSES TINHA ERA QUE MORRER, prometeu o fotógrafo de polícia. ELE TEM UM JEITO DE BOFE, disse, afetadíssimo, o colunista de moda e sociedade. UM CARA DESSES TEM QUE SER BANIDO DE NOSSO CONVÍVIO. ESPEREM SÓ EU DESCOBRIR QUEM É, desafiou o diretor de redação.
E isso tudo foi antes do post do retorno ser escrito. Sejam bem vindos vocês, alvos eternos do Paredão da Imprensa. A carnificina vai ser retomada.
Esta foi retirada do fundo do baú, nos estertores de julho de 2003. Pode até ser que o personagem deste post não tenha sobrevivido a lisérgicas noites de criação literária aditivadas por energéticos líquidos, sólidos e gasosos.
DRT - Distúrbio da Razão Terminal Na rotina semestral de checar e-mails, este cobradorzinho que vos escreve encontra a seguinte missiva digital de um leitor eufórico.
Grande cobrador, Existe um site chamdo Sedivirta.com.br que se propõe a cobrir festas e ter alguns "colunistas" de salvador. Leia a coluna de um tal de Ildázio Júnior... Leia na Íntegra!!! Isso saiu no http://ssa.sedivirta.com.br/ mas pelo que pude constatar, a coluna desta semana já saiu do ar!
Brothers & Sisters, Shalom, pax, paz, peace e mucho amor a todos!! Antes de mais nada e sempre, agradecimentos à todos os que nos prestigiaram no TAPIOCA e na KORUNN nesta semana de festas bala que rolou a milhão com todos os ingredientes na medida certa e o caldeirão ferveu!! Se liguem nos banners abaixo com as devidas informações dos nossos eventos para esta semana! Diversão e astral é com agente mesmo!! Bom, vamos escrever né! Meu tema escolhido para esta semana é uma das quatro classificações para o homem moderno feita por uma galera do bem, reunida lá no irado Tempero da Dádá(que junto do Lôro Patamares são as melhores opções para um papo descolado com umas cervas nas tardes de sexta e sábado), o famoso: ESPADA PREGUIÇOSA Facilmente reconhecido em todas as turmas e galeras, o Espada Preguiçosa se insere em uma das classificações que mede a disposição masculina to catch, act & finalize a mulherada! Resumindo, se o cara manda bem e monta na lambreta tá ligado fischer!?!?! Senão vejamos os tipos diversos da rapêize: - O pega ninga - O normal - O preparado - O Doente E o famosííííssssssssiiiimmmo ESPADA PREGUIÇOSA!! O Espada preguiçosa é aquele famoso cara que mulher e sexo, definitivamente não são uma das suas prioridades, manja? Não! Não caros leitores, ele não é boiola, não cede a cauda sem resistência, nem muito menos curte ouvir o ABBA e o Village People cantando e coreografando YMCA. Poderia dizer que para ele ganhar dinheiro é mais fácil do que ganhar mulher, tá ligado!? Geralmente capazes e expoentes em suas atividades, o binga adormecida tem até uma namorada toda nos trinques porém "bater na boca da sapa" (como diria tão sutilmente Tonhão, o borracheiro aqui do principado de Itapoan) não é a dele! Citemos um grande expoente dos espachins, o grande piloto, já falecido Ayrton Senna! Veja bem fraco, o negócio do cara era correr na F1, ser o melhor das pistas, bater recorde em pole position e acabou! Agora debulhar a mulherada... aoooonnnndee?!?!?! Tá, tá, vocês até podem alegar a tal da Luma e a Galisteu, mas para um cara com a fama e a notoriedade dele essas duas não passam de duas gatas tupiniquins!! Agora se ligue em Piquet! Pôrra, o cara têm uma lancha de 100 pés chamada GOSTOSA, casou 05 vezes(três gringas e duas brazucas), a mulher dele atual(um boeing por sinal!) é mais nova que ele uns 10 a 15 anos, tá aí vivinho da silva e tri-campeão mundial cheio das folhas no bolso! Outra definição em caráter figurado que se encaixa muito bem é a comparação entre as personalidades do golfinho e o tubarão! O cara não é veado e sim golfinho, se ligou! Inclusive o dorminhoco em questão, se colocar camisinha para uma transa, o bingolim pensa que é touca e dorme, só acorda 12 horas depois e amarradão para jogar um Squash com a turma! Aí você pergunta: -E a gata do cara como fica nessa? Olhe fraco, a gata geralmente costuma compensar com o outro lado extremamente atrativo do bilau sonolento: o seu bolso! O cara não curte dar um showzinho com a mina nas quatro paredes, mais não é bobo não fischer! Tem o real, a lancha, a moto, a casa de praia, e a mulherada pensa duas vezes em trocar um cara, digamos assim, excêntrico e com o bambá por um na classificação doente e quebradinho né fraco! Pois é, olhem bem para o lado de vocês que reconhecerão este bem necessário as turmas, pois antes de mais nada eles são companheiros, pagam as contas das minas, são compreensivos com elas e nois faz o resto!! Inté e muita festa na cabeça!! Ilds
Pois é, esse texto brilhante e inteligente merece ser estraçalhado no paredão da imprensa! O cara tem DRT e os diabo!! abraços O Devedor
Pois é. Depois de anos e carreira e dedicação, somos obrigados a descer ao patamar do lixo mental. Ainda somos convocados a "estraçalhar" os frangalhos intelectuais de seres que são de inteira responsabilidade de clínicas de desintoxicação. Isto é muita covardia. Portanto, se alguém quiser sacanear que mande os comentários aí nas tijoladas.