
sexta-feira, 28 de maio de 2010
ENTREVISTA COM SOCIALITE

sábado, 1 de maio de 2010
A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE NA LADEIRA DA BARRA
Este O Paredão testemunhou um evento noturno no petit comitée da Ladeira da Barra e constatou que definitivamente o nosso colunista do segundo caderno acertou ao prever que a C&A fez bem em contratar Ivete Sangalo como garota-propaganda (não preciso dar maiores detalhes sobre essa constatação, mas podem ver se nas filas da referida loja de departamento neste exato momento não estão serviçais que atendem ao gênero "senhoras-em-vias-de-falência", cuidando para a renovação do guarda-roupa).
A primeira observação do nosso estagiário etílico foi a solidariedade entre os garçons do buffet e os tequileiros. Aqueles pedem a estes para retirar o maior número de itens da bandeja e assim aliviar mãos dos olhos de abutre dos antes-ricos. O peso de equilibrar entrar o sorriso de gentileza mal paga e o desejo que essa raça agonize sem vestígios de pompa.
É sintomático quando uma banda-baile escolhe para o repertório a música Dou a Vida por Um Beijo, de Zezé di Camargo e Luciano ("difícil demais te amar assim..."), antes executada exclusivamente em bares de alcólatras corneados do subúrbio ferroviário. Sinal dos tempos. Se tiver versão acústica, com metais em um arranjo novo, já há o pretexto suficiente para se tornar cult (o nome do brega de quem se julga rico).
A vida de aparências (ou histórias de fazer dormir gente grande), poderia ser um título de um livro psicografado de Clarice Lispector, mas é a sinopse para qualquer convescote da grã-finagem, encontros que se tornaram a antítese do capitalismo. O dinheiro não gira - porque não existe -, tudo é permuta, os serviços são trocados, a comida é distribuída em troca de uso de propaganda, ninguém precisa pagar a ninguém, todas as ararinhas azuis permanecem em extinção e as últimas continuam engaioladas. Doze bolinhos de frango fritos valem uma notinha na coluna social de um informativo para consultórios médicos.
Enquanto isso, pingentes de strass adornam pescoços flácidos que 40 anos antes ostentavam ouro 18 quilates, ex-damas fazem biquinho para beber espumante e garotas de farmácia não seguram o dedo mindinho ao elevar a taça.
O fotógrafo contratado ganha por produtividade, por isso precisa sugerir que o máximo de pessoas sorriam, mesmo que isso implique em fisionomais mais artificiais do que os muitos seios do salão. Alguns whiskies de 8 anos são sorvidos com a cerimônia de maltes escoceses, enquanto o espumante travoso de umbu-cajá é nacional mesmo. Mudam-se os tempos, mudam-se as exigências de paladares.
Os preparadores de coquetel, que recentemente passaram na segunda fase de alguma matrícula em formato vestibular, continuam tratados pelos garçons como se fossem acompanhados dos respectivos avatares, só isso para explicar porque são servidos em dobro no fundo do salão. De repente, um deles saca o celular piscante e balança para o colega: "é mulher, viado". Definitivamente, quando fenômenos desse nível reptiliano de evolução encefálica viram assunto de cobertura jornalística é porque a banda continua insistindo no repertório "as melhores já tocadas por quem tem a mãe no mangue".
Rodas de amigas se revezam para tirar fotos em câmeras de 8 a 10 megapixels: individuais (sentadas na banqueta alta), ou coletivas (prendendo a respiração e tentando reduzir medidas abdominais bem disfarçadas em vestidos).
(Nesse momento, todos saíram da frente e minha imagem surge em um espelho do tamanho do pé-direito, de tal sorte que é até difícil o auto-reconhecimento; pensei que estava na festa mas a fotografia é de um homem com o queixo apoiado em uma das mãos, camisa branca, olhando para o nada, expressão semelhante a quem é internado por ingestão de salmonela).
sexta-feira, 19 de março de 2010
FASHION APOCALIPSE
Coleção
Iniciamos a estação observando as fronteiras permeáveis do universo. Sentimos o pulso contínuo do tempo que direciona o futuro. Sonhamos com um mundo onírico. Sentimos o efêmero, a metamorfose e a aurora com suas cores e brilhos suave, como ninfas que dançam e transformam a atmosfera. Inspiramo-nos na leveza dos movimentos e exuberância da natureza tropical e as riquezas desse planeta único para contemplar a vida, sua multiplicidade. Deslumbramento.
Tudo isso nos conduziu a um estado de graça. Sensibilidade. Quimera.
Depois dessa, só um comentário: acaba, mundo, que do jeito que está aí é pauta demais para O Paredão.
sábado, 13 de março de 2010
5 contra alguns

Pessoas que fumam maconha (aka maconheiros) são privilegiadas nessa vida. Eles sempre são perdoados por tudo (ahhh, são apenas um bando de maconheiros), terminam isentos de imposto de renda, como os cardiopatas crônicos e os transplantados de rins, e ainda formam uma raça de beneficiados pelo programa canabis família. Na prática, maconheiro pode qualquer coisa, sem risco de sanções, admoestações, e o pior, sem autorização para serem atacados com frouxos de risos.
Digo isso motivado pela excursão cultural ao Teatro Vila Velha pra testemunhar a agonia da humanidade rumo a 2012. Neste caso, o capítulo: 5 sobre o mesmo, que começou piadisticamente com o apelido de 5 contra 1 (alusão onanista a algo que não poderíamos prever ser mais insosso que uma punheta) e terminou como 5 contra alguns (os performáticos atacando as glândulas pineais que gerem o bom senso dos 13 espectadores). Chamar aqui de espetáculo de dança é apenas uma colocação benevolente a malcriações de um grupo de pessoas que fumam maconha (aka maconheiros). Do mesmo jeito que você chama de banda aquele barulho crucificante que os colegas de seu filho do sétimo período fazem quando se juntam, microfones de Playstation nas mãos.
No caso daqueles, pessoas de comportamento erudito com catchup e maionese, frases de efeito fast food e propostas cult cream cracker, a ocupação, segundo críticos cremogema, é em "propor uma experiência autônoma e isolada, no qual o espaço e outros recursos cênicos, como a luz, a música e o cenário, por exemplo, só se tornaram conhecidos quatro dias antes da estreia". Como diria Obama, "talk for sleeping cow".
Pois pessoas que fumam maconha (aka maconheiros) nesse momento estão recebendo subvenção pública oficial para pesquisar, experimentar, delinear, coreografar e manipular modalidades de expressões artísticas, mesmo que isso seja o outro nome para imitações de ataques epiléticos, mímicas de treinamentos para comissárias de bordo ou reinterpretações da dança do glu glu de Sérgio mallandro na Oradukapeta. Tudo isso sem que seja cobrada qualquer contrapartida estética, ética, conceitual ou porra nenhuma, nem seja divulgada em edital a verba do orçamento gasta em erva doce para tanto. O pior é que ninguém pode falar nada, nem interromper o lixo com uma tosse ou arrotos poéticos no meio da catarse de lodo humano. Tem que pagar os oito contos e assistir calado para valorizar a cultura baiana.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
PRÉ-SAL, O TESTEMUNHAL OCULTO E QUEM PAGA A CONTA
Ouço o famoso âncora de um programa de difamações e lobbys no rádio falando como se quisesse ter uma conversa mais pessoal e franca com a meia dúzia de ouvintes que atendem ainda não pediram para parar o mundo e eles descerem. Ele tem a voz de um vovô da carochinha, como se quisesse contar melhor uma fábula de pescador. O que parece mesmo o prólogo de uma anedota se mostra uma propaganda descarada do Pré-Sal, a título de informação gratuita sobre os benefícios da arrojada iniciativa da Petrobras. Arrojada também é o nome que alguns marqueteiros usaram quando resolveram rasgar as páginas do dicionário onde estão escritas as palavras eleitoreira, arriscada e irresponsável.
Porque se fosse mesmo para contar uma história aos netinhos até o apocalipse poderia ser dito sobre Pré-Sal e a perfuração de camadas geológicas até então inacessíveis. Quando as placas tectônicas ficarem revoltadas e começarem a reagir deve ser a iminência do 2012. Nesse caso, a historinha seria bem mais interessante, rica em subsídios para especulações (como todo bom conto), e até mais honesta. Só que parecem pagar bem melhor para contar ficções que rendem eleições.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O APANHADOR DO CAMPO DE CENTEIO (ou a arte de fazer cara de conteúdo cagando mais fedido do que Ana Maria Braga)



A revista muito, do jornal A Tarde - o concorrente deste O Paredão da Imprensa - é como aqueles baldes de inox que ficam nos escritórios de contabilidade. Você pode até enfiar a mão lá dentro e remexer que não vai se sujar muito (apenas cinzas de cigarro, papel carbono amassado e chicletes babados), mas continua não passando de lixo.
Não é o lixo simples, com detritos orgânicos misturados a absorventes usados, rolhas de vinho e bijuterias quebradas e faturas vencidas de cartão de crédito com sobras de miojo da noite anterior. Esse começa a feder no dia seguinte e tudo que você mais quer é se livrar logo para não causar aquela impressão nauseabunda nas visitas.
Diferente disso, a revista muito é aquela classe de porcaria que não cheira mal, não apodrece e até fica à vista na sala de estar. Só que precisa, sim, ser descartada o quanto antes, mesmo se fosse impressa em material reciclável. Trata-se de uma publicação rasa como a colher de leite em pó que colocam no menorzinho da esquina, inculta como Luciana Gimenez e demodê como Hebe Camargo. Ou vice-versa, sabe-se lá nesse tempo quem é ignorante e quem é brega. Ao contrário, quer se vender como profunda, intelectualizada e moderna. O problema é que fica difícil enganar com textinhos pouco maiores do que máximas de caminhoneiros - só que sem a mesma criatividade.
A revista transpira uma empáfia para que todos que trabalhem lá queiram ter uma expressão enigmática de quem acaba de sair da sessão de Almodóvar. O problema é que - colocando realmente os pingos nos is - nem serve para limpar a bunda por não ser daquele material poroso próprio para os ânus e suas reentrâncias.
- Ah, O Cobrador, mas você só sabe escrever desse jeito rancoroso de quem quer falar mal gratuitamente, por que não coloca os exemplos aí pra ver se seu argumento cola?
- Porra, vai tomar no cu, ainda quer que eu leia uma miséria dessa para poder detonar?
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
TRIBUN(D)A DA BAHIA
E caguei de um jeito, assim, dessemelhante, algo diferente de hoje em dia. Como esse procedimento é raro para mim, não tenho costume de dar dinheiro a grandes conglomerados da higiene pessoal comprando papel higiênico. Por isso, uso os jornais que se acumulam no criado-mudo (um neguinho eunuco que trouxe da Namíbia sem pênis e nem língua, que serve como mobília, sparring e compilador do clipping de O Paredão nas horas vagas).
Antes de fazer da capa um amálgama de resíduos sólidos do meu processo digestivo, dei uma olhadinha e vi que era uma edição do dia 21 de outubro, da Tribuna da Bahia. Justamente a data em que se comemorou aniversário de 40 anos, sendo que eu passaria muito bem sem essa informação. Só que não costumo ser estraga-prazeres, ou mal agradecido. Então, parabéns, Tribuna da Bahia! E obrigado por estar ao meu lado nos momentos mais difíceis.

